domingo, 6 de junho de 2010

Toque-me, sou teu




Algumas coisas são mesmo tocantes.


Um piano no meio da rua, disponível a toda pessoa que por ele passe, deseje tocá-lo e deixar que seus dedos falem, para mim, é algo tocante.  (sentar-se diante, ao lado, ou permanecer de pé. batucar? criar... fazer arte...  al-go-no-vo!)


O inusitado. O convite à expressão genuína, o acolhimento dessa expressão autêntica.

O ir, expressar-se, experimentar (se), abandonar-se ao desejo de criação, de fazer arte, ...

e o acesso a absolutamente todos

são, para mim, muito tocantes!



"Toque-me, sou teu"  (Play Me, I'm Yours) é um projeto do artista inglês Luke Jerram. Há inúmeros pianos, parte do projeto, espalhados pelo mundo. Eles estão aí, em lugares públicos. Se você encontrar algum deles, siga a sua vontade, o seu desejo. Eu conheci o projeto por um e-mail sem título, cujo conteúdo continha um link e uma única frase: "Sei lá. Achei bonito". Recebi esse presente de uma amiga. Os paulistas receberam de presente os pianos de Jerram. O que vocês poderão ver nos vídeos deste post são mostras do presente que São Paulo recebe a cada dia, de cada paulista que se senta a cada piano instalado na praça, na estação, no pátio...














Links:


Pianos de Rua Site Oficial


Luke Jerram Site Oficial

8 comentários:

Richard Mathenhauer disse...

Poxa! Que coisa linda!
Sabia que já estudei piano?
... não, não toco. Eis uma das minhas frustrações...

Adorei a postagem!

Veronique d'Angoulême disse...

É mesmo, Richard?!

Sabe que fiquei imaginando se seriam suas as mãos daquele pianista que você postou há algum tempo no Urbi?

Sempre há tempo de voltar...

:)

Beijo!

Adriano Drummond disse...

Digo ou não?? Ah, foda-se - digo (minha campanha pela nietzchianização da minha personalidade mo exige):

ouvindo o 'povo' tocando o piano, me lembrei de uma das frases mais célebres (para mim, pelo menos) do prof. Antônio Machado sobre essa coisa de democracia: na primeira eleição direta e popular da história, a maioria preferiu Barrabás...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (excelente!!)

- sou muito insensível mesmo. -

suuteleminen (ow, brochante em filandês da Finlândia; tanta vogal e nenhum trema!! Que desperdício... Sou mais em finlândes de Uberaba: bëijöcäs!!)

Veronique d'Angoulême disse...

Adriano,

Não se trata exatamente de democracia, mas de algo ainda mais amplo. Trata-se do direito inalienável, de cada ser humano, se ser e de exprimir-se, experienciar-se.

O mal da nossa sociedade, como se encontra hoje, é o imperialismo da especialização, do academicismo, o territorialismo que mais empobrece a experiência humana do que a enriquece, mais castra do que liberta, e suprime tanto ou mais do que constrói.

Há muita beleza nas criações desterritorializadas (e o termo aqui é apenas meu, para quem o identificar).

Mas é incrível como esta sociedade, tão doentiamente aprisionada às regras e ao cânone, tornou-se, em geral, incapaz de olhar para o mundo, de ouvir o mundo, despojada de teoria.

Contemplar.

Assim, Vincent Van Gogh (entre outros) morreu na miséria, vendo sua obra ser tomada por medíocre. E foi preciso que alguém visse em sua obra uma escola, e que essa escola fosse academicamente incluída na literatura, para que seu trabalho fosse, finalmente, visto e reconhecido.

Aqueles que apenas se expressam, sem nunca fundar correntes (ou ter alguém que as funde por eles), seguirão, até a morte, invisíveis, e para eles não haverá posteridade.

Aos aprisionados canônicos, o seu cânone.

Eu prefiro a maior amplitude e riqueza da contemplação, pois nela cabe o mundo, com todas as suas expressões, várias manifestações do belo, inclusive (e não apenas) a beleza do cânone.


Veronique d'Angoulême

Adriano Drummond disse...

Escrevi aquele comentário com o martelo mesmo. De qualquer forma, saiba, minha queridíssima amiga (sou homem, lembre-se; não é uma mulher a dizer "querida", hein...): tratou-se mais de uma provocação irônica do que a emissão de uma opinião sincera. Sim, não resisti. Também não imaginava que a fosse publicar, mas gostei. Democracia é isto: dar vez até a uma voz canônico-chata como a minha, por vezes, é. Quanto ao puxão-de-orelha... assumi o risco - quem com o martelo comenta com o martelo será ferido.

beijocasss

(ps: mas que o "richard clayderman" foi foda, foi... hahahahaha)

Veronique d'Angoulême disse...

é... a musiquinha do Richard Clayderman (ou de sei lá quem que o fófis Clayderman toca) eu relevei. rss Nêstê pôntó, caro Adriano, sou obrigada a concordar contigo. rss

No mais, embora desgostando dessa ironia, estou feliz que não tenha sido opinião sincera. :)

Beijoca, querido (e sou uma mulher falando "querido" muito sinceramente! :) )

* disse...

"sou homem, lembre-se; não é uma mulher a dizer "querida", hein..."

ahahahahah
a-d-o-r-e-i!

Richard Mathenhauer disse...

... to gostando desse concerto a quatro mãos...