Então é assim. Megaupload. VideoZer, Megavideo, Video BB... todas as séries e filmes... Fecharam as portas da internet.
Enquanto a cultura se faz por "indústrias", o que se tem são "produtos" , com os quais aqueles que menos lucram são os artistas e o público.
A guerra travada, a esbofetear-nos na cara - com especial vigor, neste novo capítulo lançado dia 19 - é a guerra do capital.
Parabenizo Leonardo Pereira pela grandeza do uso do termo "ATIVISTAS" ( ao invés de "terroristas"... !? ... ou mesmo "hackers", já carregado de conotação pejorativa, devido ao equivocado uso) ao referir-se aos membros do Anonymous. (Para entender um pouco do caso: http://www.segs.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=61802:anonymous-ataca-ate-o-site-do-fbi-apos-fechamento-do-megaupload&catid=48:cat-info-ti&Itemid=329)
ATIVISMO É O QUE NOS FALTA A (praticamente) TODOS. Mereceremos todos os cortes, todos os vetos, todas as inacessibilidades, todas as margens, todas as migalhas, todas as bofetadas, enquanto nos mantivermos na plateia, perdidos, na penumbra do espetáculo, aplaudindo ou criticando o que, da plateia, nos pareça bonito ou feio, daquilo que se passa lá no palco. Burburinho, e tímido, é a que nos acostumamos. Tomemos na cara!
A admiração que nutro pelos ATIVISTAS do Anonymous é a que me falta, a mim, por mim mesma. Inconfessável tormenta desnudada em público, ainda que pequeno, esse meu público.
Enquanto nos escondemos no escuro da plateia, nossos destinos são traçados no palco, com o improviso dos atores, e nos tornamos, ridiculamente, coadjuvantes de nossa propria história.
Tomemos, sim, tomemos, e muito, na cara.
PARECE OUTRO ASSUNTO... SERÁ?... OU "A QUE PONTO?" ...
Li, outro dia, na net, com relação ao patrocínio da nova turnê do Cirque du Soleil, no Brasil: "A opção de não captar recursos por meio de leis de incentivo se deve às críticas sofridas quando da vinda do espetáculo Saltimbancos ao Brasil, em 2006. O espetáculo fez uso de milhões de reais de cofres públicos, mas vendeu ingressos a valores inacessíveis a grande parte da população." (grifo meu. Grifo, mesmo)
A guerra é sempre do capital. Quem menos lucra com os direitos autorais são, geralmente, os artistas e o público. Parece haver quem entenda ser a cultura um artigo de luxo para VIPs (para quem desconhece o significado do termo, "VIP": "Very Important Person", ou, em bom português, "Pessoa Muito Importante", isto é, tudo o que você não deve ser, do ponto de vista de quem criou ou utiliza o termo, caso desconheça o significado do mesmo - e que, provavelmente é, mesmo que conheça esse significado, ou seja, caso faça parte da maioria da população brasileira). Parece haver um "esquecimento" do fato de que uma produção cultural, por mais particular que seja, é antes uma criação cuja gênese se encontra na própria sociedade, o que torna toda e cada uma, por assim dizer, uma "co-produção".
Cultura como PROCESSO é um fenômeno amplo e amplificável. Como criação deve também assim ser.
Nada contra os direitos autorais. Mas tudo contra o monopólio da indústria sobre a cultura. Tudo contra a inacessibilidade geral à cultura; contra a exploração deplorável da cultura como meio de enriquecimento de poucos às custas de um empobrecimento intelectual geral.
Nada contra o justo ganho, de artistas e produtores, por seu trabalho de criação e realização cultural. Tudo contra o lucro desmedido da indústria cultural, às custas do controle estrito do acesso à cultura e/ou do controle das porcentagens de lucro a receberem os próprios artistas . Tudo contra a injustiça.
Desta longínqua e desconfortável poltrona na qual me encontro, aplaudo os criadores do Creative Commons, os ativistas do Anonymous, e todos aqueles que, politicamente, defendem a cultura (stricto sensu) como um direito de todos - verdadeiramente acessível - bem como defendem, na prática, que, quando lucrativa, o seja EM QUANTIAS JUSTAS e, sobretudo, PARA aqueles que a produzem: OS ARTISTAS.
(Vergonhosamente, sigo na plateia, assistindo ao desenrolar da História da qual me torno vítima ou beneficiada, por omissão ou inativismo. E emito minhas opiniões, fazendo coro ao burburinho, ainda sentada. Lamento por mim. E se você me acompanha na poltrona, lamento por nós).
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